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60 anos em combate pela dignidade humana

Leopoldo Paulino em comício na Praça da Sé - campanha de 1º turno Lula Presidente - 1989
Leopoldo Paulino em comício na Praça da Sé - campanha de 1º turno Lula Presidente - 1989

Conheci Leopoldo Paulino em Cuba, em 1989, durante um período que me refugiei na Ilha, em face da violência que enfrentava no Pará, logo após o assassinato de meu irmão, o deputado João Batista. Quando retornei de Cuba fui para São Paulo, convivendo com ele na direção do PSB, ao longo da primeira metade da década de 1990. Desde então nunca deixamos de manter nossa relação nas lutas políticas e de amizade.


Em 2026 faz seis décadas que Leopoldo Paulino integrou-se nas fileiras do PCB, desde então dedicando-se à luta contra a opressão e exploração imposta à classe trabalhadora do campo e da cidade, com atuação em diversas frentes de lutas.


Nascido em Ribeirão Preto, aos 12 anos de idade Leopoldo acompanhava seu pai, Moacir Alves Paulino, nas reuniões da UGT. Seu avô, Domingos Teixeira Pinto, militante do PCB, era empregado da Companhia Paulista da Estrada de Ferro e em sua residência, em São Carlos, funcionava a sede do Partidão. A mãe, Maria Aparecida Teixeira Paulino, muito jovem integrou-se ao partido. Tudo isso levou a formação política revolucionária de Leopoldo muito cedo.


Em 1 de abril de 1964 Leopoldo Paulino estava com 13 anos. No ano seguinte, com outros estudantes secundaristas, pichava nos muros “abaixo a ditadura”, denunciando a violência e o golpe. Não havia spray, usavam bastão de cera para fazer lápis. Logo, aos 15 anos, foi para o PCB, integrando-se a base secundarista.


Começa sua militância clandestina. Em 1968, no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, enfrenta a primeira prisão. No ano seguinte ingressa na ALN, liderado por Carlos Marighella, quando participa de diversas ações revolucionárias. Com o terror imposto por Médici, exila-se no Chile, chegando em 5 de fevereiro de 1970 a esse país, onde viveu quatro anos e meio. Enfrentou a prisão e foi torturado após o golpe contra Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973. Conviveu com revolucionários de várias organizações. Seguiu em exilio na França, Argentina, Panamá e Dinamarca. Retornou clandestinamente, em 1974, para o Brasil.


Atuou na organização dos Comitês Brasileiro pela Anistia, o qual foi presidente nacional. Em 1982 militava no MR-8, elegendo-se vereador pelo PMDB, em Ribeirão Preto. Em maio de 1984 dirigiu a histórica greve dos cortadores de cana, em Guariba (SP). Acabou indo para o PSB, foi presidente do PSB estadual de São Paulo e integrou a direção nacional. Exerceu seis mandatos na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, da qual foi presidente por três legislaturas. Juntou sua militância advocatícia e parlamentar como dirigente das lutas dos trabalhadores de maneira incansável.


Escreveu o livro Tempo de Resistência, onde relatou sua vivência nas lutas revolucionárias contra as ditaduras no Brasil e Chile, uma importante contribuição para a preservação da memória, da formação política da juventude e da classe trabalhadora. Criou o projeto com o mesmo nome, enviou estudantes para Cuba e realizou debates em escolas e universidades. O livro se transformou no filme Tempo de Resistência, dirigido por André Ristum, que mostra o tempo da violência e arbítrio imposto pela ditadura, especialmente durante o período Médici.


São 60 anos de resistência, de combate e compromisso revolucionário com as classes trabalhadoras brasileiras. Leopoldo Paulino, advogado e militante revolucionário, músico, compositor e produtor de cinema, segue inspirando a juventude, lideranças populares e sindicais, mostrando que nada impede de seguir à luta em defesa do socialismo e da plenitude humana.


Pedro César Batista


Pedro César Batista, jornalista, com especialização em Antropologia. Escritor e poeta, com mais 20 livros escritos, entre os quais Marcha interrompida (Thesaurus Editora, 2006), romance histórico sobre o massacre de Eldorado dos Carajás, e João Batista, mártir da luta pela reforma agrária (Expressão Popular, 2009). Internacionalista, integra às direções do

Comitê anti-imperialista general Abreu e Lima e do Capítulo Brasil, da Internacional Antifascista.

 
 
 

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